Indíce
Quer conquistar uma pele mais luminosa, uniforme e jovem? Os AHAs (alfa-hidroxiácidos) podem ser a resposta. Estes ácidos, muito falados no mundo do skincare, são usados por dermatologistas e farmacêuticos para promover uma pele mais saudável.
Neste artigo, vai descobrir o que são os AHAs, como funcionam, em que cosméticos os pode encontrar, os principais benefícios, cuidados essenciais e respostas às dúvidas mais comuns.
Continue a ler e aprenda como integrar estes ativos na sua rotina de beleza de forma segura e eficaz.
O que são AHAs (alfa-hidroxiácidos)?
Os alfa-hidroxiácidos, conhecidos como AHAs, são uma classe de ácidos orgânicos amplamente utilizados em cosmética e dermatologia. Derivados de fontes naturais como frutas, leite e cana-de-açúcar, estes compostos também podem ser sintetizados em laboratório para uso seguro em produtos de skincare.
A sua principal função é a esfoliação química suave: em vez de atuarem mecanicamente como os esfoliantes físicos, dissolvem as ligações entre células mortas, promovendo uma renovação uniforme da pele.
O resultado é um rosto mais luminoso, macio e preparado para receber outros cuidados.
Como funcionam os alfa-hidroxiácidos?
Os AHAs são solúveis em água e atuam mais à superfície, tornando-se uma excelente opção para peles secas, maduras ou sensíveis.
Enquanto farmacêutica, observo diariamente que pacientes com pele sensível têm maior tolerância ao ácido láctico do que ao glicólico, o que confirma o seu perfil mais suave descrito na literatura dermatológica.
Exemplos de AHAs mais conhecidos
- Ácido glicólico: derivado da cana-de-açúcar, é o mais potente e penetra profundamente na pele. Estudos demonstram a sua eficácia na melhoria da textura e firmeza cutânea (Journal of Cosmetic Dermatology, 2022).
- Ácido láctico: extraído do leite, é mais suave e com propriedades hidratantes, indicado para peles secas e sensíveis.
- Ácido mandélico: proveniente de amêndoas amargas, com ação antibacteriana, sendo útil em casos de acne leve.
- Ácido cítrico: encontrado em frutas cítricas, com efeito antioxidante e iluminador.
- Ácido málico: presente nas maçãs, proporciona esfoliação suave e equilíbrio do pH cutâneo.
Para que servem os AHAs?
Os AHAs servem para esfoliar quimicamente a pele, eliminando células mortas e promovendo a renovação celular, o que resulta numa pele mais macia, suave e radiante.
Além disso, estes ácidos são ainda eficazes no tratamento de linhas finas, rugas, manchas, hiperpigmentação e podem melhorar a textura e a uniformidade da pele, sendo ótimos para pele seca e madura.
- Esfoliação suave e uniforme: removem células mortas sem causar abrasão.
- Renovação celular: aceleram a regeneração natural, revelando uma pele mais fresca.
- Estimulação de colagénio e elastina: contribuem para firmeza e elasticidade.
- Melhoria da textura e luminosidade: promovem um aspeto radiante e uniforme.
- Atenuação da acne leve: ajudam a controlar oleosidade e a prevenir imperfeições.

Benefícios dos AHAs para a pele
Os benefícios vão além da simples renovação celular. Dependendo do tipo de ácido e da sua concentração, os AHAs podem ser incorporados em diferentes rotinas para fins distintos, desde cuidados anti-idade até ao controlo da oleosidade.
Anti-idade
Estudos mostram que os AHAs reduzem linhas finas e rugas ao estimular colagénio e elastina. Isto resulta numa pele mais firme e com aparência rejuvenescida (American Academy of Dermatology, 2021).
Uniformização da tez
Os alfa-hidroxiácidos também são eficazes no clareamento de manchas solares e pós-inflamatórias, ajudando a uniformizar o tom da pele.
Textura e luminosidade
Ao removerem células mortas, deixam a pele mais lisa e luminosa, além de reduzirem a aparência dos poros dilatados.
Potencialização da rotina de skincare
A pele esfoliada absorve melhor outros cuidados de skincare, nomeadamente séruns, hidratantes e antioxidantes. Esta capacidade de absorção “extra” vai potenciar os resultados de toda a rotina.
Tipos de AHAs mais comuns
Embora todos partilhem a função de renovação celular, cada AHA possui características próprias que os tornam mais adequados para diferentes tipos de pele.
- Ácido glicólico: eficaz em manchas e rugas, indicado para peles normais a oleosas.
- Ácido láctico: hidratante e suave, ideal para peles secas e sensíveis.
- Ácido mandélico: ação antibacteriana, bom para pele acneica.
- Ácido cítrico: antioxidante e iluminador, equilibra o pH cutâneo.
- Ácido málico: presente nas maçãs, atua como complemento suave.
Com base na minha experiência de farmacêutica, recomendo ajustar o tipo de ácido não apenas ao tipo de pele, mas também ao histórico de sensibilidade do paciente.
Em que cosméticos podemos encontrar os AHAs?
Os AHAs estão presentes numa grande variedade de produtos de skincare, adaptados a diferentes necessidades e tipos de pele.
- Tónicos esfoliantes: oferecem uma renovação suave e contínua, ideais para uso regular em concentrações baixas.
- Séruns faciais: mais concentrados, aplicados geralmente à noite, são recomendados para quem procura tratar manchas, rugas ou textura irregular.
- Cremes hidratantes com AHAs: combinam ação esfoliante suave com agentes emolientes, sendo perfeitos para peles secas ou maduras.
- Peelings químicos caseiros: possuem concentrações mais altas, devendo ser usados apenas ocasionalmente e com precaução.
- Máscaras faciais: aplicadas 1–2 vezes por semana, proporcionam um efeito imediato de pele renovada.
Na prática farmacêutica, costumo recomendar começar com tónicos ou cremes de baixa concentração. Séruns e peelings devem ser introduzidos apenas quando a pele já mostra boa tolerância. O objetivo é evitar irritações e reações da pele.

Como usar AHAs em segurança
Escolha do produto adequado
Este é o primeiro, e provavelmente, o passo mais importante para quem procura usar AHAs de forma segura e confortável.
Como explicado anteriormente, os alfa-hidroxiácidos encontram-se em tónicos, séruns, cremes e peelings caseiros. Tal como referi, para iniciantes, o ideal é começar com concentrações baixas (5–10%).
Escolher o produto certo vai ser essencial para evitar irritações e outros efeitos secundários.
Frequência recomendada
Numa fase inicial não recomendo que use mais de 2 a 3 vezes por semana. No entanto, a frequência de uso de AHAs varia com o produto e a tolerância da pele.
Garanta que aplica os produtos na pele limpa e seca, antes de outros produtos. De forma geral, recomenda-se que:
- Pele sensível ou seca: 1–2 vezes por semana.
- Pele normal a oleosa: até 3 vezes por semana.
Mais uma vez reforço: a frequência deve ser ajustada conforme a tolerância da pele.
Combinação com outros ativos
Apesar de serem seguros, os AHAs podem ser combinados com ingredientes como a niacinamida e o ácido hialurónico.
Em contrapartida, ativos como retinol e vitamina C devem ser usados em rotinas separadas.
Leia também: Para que serve a Niacinamida?
Importância do protetor solar
Como uma das principais funções dos AHAs é esfoliar a pele, estes ácidos acabam por aumentar a sensibilidade solar. Considerando esta sensibilidade solar acrescida, recomendo vivamente o uso de protetor SPF 30+ ou SPF 50+ diariamente.
Um dos maiores e mais frequentes erros que vejo enquanto farmacêutica é o uso de AHAs sem reforço da fotoproteção. Este descuido pode anular os benefícios e até causar manchas.
Possíveis efeitos adversos e contraindicações
Embora os AHAs sejam considerados seguros e eficazes quando usados corretamente, podem causar algumas reações adversas, sobretudo em peles sensíveis ou quando aplicados em concentrações elevadas.
É fundamental respeitar a frequência de utilização e observar como a pele reage nas primeiras aplicações. Além disso, determinados grupos de pessoas devem adotar cuidados redobrados ou até evitar o uso destes ativos.
Efeitos secundários comuns
- vermelhidão leve
- descamação
- ardor.
Apesar de serem comuns, não quer dizer que estes efeitos secundários sejam frequentes. Tal como mencionei, tudo irá depender da sua pele, como a mesma reage e as concentrações dos produtos que escolher
Quando evitar os AHAs?
Apesar dos AHAs serem seguros, recomendo que em determinadas circunstâncias se tenham cuidados redrobrados ou especial atenção, nomeadamente:
- Rosácea ativa, dermatite ou pele lesionada: a barreira cutânea já está fragilizada e o uso pode agravar irritações.
- Gravidez e lactação: o ácido láctico em baixas concentrações é geralmente mais seguro, mas a utilização deve ser sempre avaliada por um médico.
- Exposição solar intensa: sem fotoproteção adequada, aumenta o risco de manchas e hiperpigmentação.
Perguntas Frequentes (FAQ)
AHAs são seguros para pele sensível?
Sim, desde que utilizados em concentrações baixas e monitorizados quanto à tolerância. O ácido láctico é o mais indicado para estes casos.
Posso usar AHAs todos os dias?
Não é recomendado no início. Deve-se começar poucas vezes por semana e aumentar gradualmente.
Qual a diferença entre AHAs e BHAs?
Os AHAs atuam na superfície, indicados para manchas, rugas e textura irregular. Já os BHAs penetram nos poros, mais eficazes em acne e oleosidade.
Caso precise de maior esclarecimento, remendo-lhe a leitura do nosso artigo onde irá encontrar todas as diferenças entre AHAs e BHAs.
AHAs ajudam no melasma?
Podem ajudar no clareamento, mas o tratamento deve ser sempre acompanhado de protetor solar e, idealmente, supervisão dermatológica.
Artigo relacionado: Qual o melhor protetor solar para pele sensível?
As grávidas podem usar AHAs?
Em geral, pequenas concentrações de AHAs (como ácido láctico) são consideradas seguras. No entanto, é essencial consultar um médico antes de iniciar o uso, devido à maior sensibilidade da pele neste período.
Conclusão
Os AHAs representam um dos ativos mais eficazes do skincare moderno. Capazes de promover uma pele mais lisa, uniforme e radiante, atuam tanto na prevenção como no tratamento de sinais de envelhecimento, manchas e irregularidades.
O sucesso no uso destes ácidos depende da orientação correta: começar com concentrações baixas, aplicar com moderação, reforçar a proteção solar e respeitar as particularidades de cada pele.
Enquanto farmacêutica especializada em dermocosmética, recomendo sempre introduzir os AHAs de forma gradual e acompanhada de orientação profissional para garantir eficácia e segurança.
Referências bibliográficas
- American Academy of Dermatology Association. Alpha Hydroxy Acids (AHAs) and Skin Care.
- Journal of Cosmetic Dermatology (2022). Efficacy of Glycolic Acid in Skin Rejuvenation.
- PubMed (NCBI). Clinical use of lactic acid in sensitive skin.
- British Journal of Dermatology (2020). Topical alpha-hydroxy acids in the treatment of photodamage.