Indíce
Se estás com o termómetro na mão e a pensar “isto já é febre?”, vou ajudar-te a decidir em segundos. A resposta curta é que se considera febre uma temperatura igual ou superior a 38 °C medida no reto, ou cerca de 37,5 °C na axila, mas o valor exato depende da idade e do sítio onde medes.
Ao longo deste guia tens uma tabela de febre por idade, aprendes a medir a temperatura sem enganos e ficas a saber quando é só vigiar e quando deves mesmo procurar ajuda.
A partir de quantos graus é febre?
Considera-se febre uma temperatura corporal ≥ 38 °C medida no reto (temperatura central) ou ≥ 37,5 °C medida na axila.
A temperatura normal não é um número fixo: oscila entre cerca de 36,5 e 37,5 °C e é naturalmente mais baixa de manhã e mais alta (até 1 °C) ao fim da tarde. Por isso, 37,2 ou 37,4 °C na axila não é febre; é uma variação normal.
O sítio onde medes muda o resultado: a medição no reto dá valores mais altos do que na axila. Um mesmo corpo pode marcar 37,6 °C na axila e 38,2 °C no reto.
É por isto que faz sentido olhar para a idade e para o método em conjunto, e não decorar um número único.
Tabela de febre por idade
A tabela abaixo resume, por idade, o método de medição mais fiável, o valor a partir do qual se considera febre e a atitude recomendada.
No bebé com menos de 3 meses, qualquer febre justifica avaliação médica imediata. É a regra mais importante de toda esta página.
| Idade | Método mais fiável | Considera-se febre a partir de | O que fazer |
|---|---|---|---|
| 0–3 meses | Retal | ≥ 38 °C (retal) | Procurar avaliação médica imediata, mesmo sem outros sintomas |
| 3–6 meses | Retal | ≥ 38 °C (retal) | Vigiar; contactar o médico se ≥ 39 °C ou se houver sinais de alarme |
| 6 meses–2 anos | Retal ou timpânica | ≥ 38 °C (retal) / ≥ 37,5 °C (axilar) | Aliviar o desconforto e vigiar sinais; avaliar se persistir 3 dias |
| 2–5 anos | Axilar ou timpânica | ≥ 37,5–37,8 °C (axilar) | Aliviar o desconforto; procurar médico se ≥ 39,5 °C com mau estado geral |
| Mais de 5 anos | Axilar | ≥ 37,8 °C (axilar) | Vigiar; avaliar se a febre passar de 3 dias ou surgirem outros sinais |
| Adulto | Axilar ou timpânica | ≥ 38 °C | Repouso e hidratação; procurar apoio se for alta, persistente ou com sinais de alarme |
| Idoso | Axilar ou timpânica | ≥ 37,8 °C (ou subida de ~1,3 °C face ao habitual) | Maior vigilância: nos idosos a febre pode ser discreta mesmo com infeção séria |
Os valores são referências para te orientares em casa. Se tiveres dúvidas sobre o resultado, vale mais medir outra vez com calma do que reagir a um número isolado.

Como medir a temperatura corretamente por idade
O método certo depende da idade. Nos bebés e crianças com menos de 2 anos, a medição no reto é a mais fiável. A partir daí, a axila e o ouvido (timpânica) são práticos e suficientes para o dia a dia.
Usa sempre um termómetro digital e regista a hora, porque a temperatura muda ao longo do dia. Evita o antigo termómetro de mercúrio.
| Método | Idade indicada | Vantagens | Limitações |
|---|---|---|---|
| Retal | Sobretudo < 2 anos | O mais preciso; padrão de referência | Menos confortável; exige higiene e cuidado |
| Axilar | Qualquer idade | Simples, seguro e acessível | Marca valores mais baixos; exige axila seca e tempo |
| Timpânica (ouvido) | Em geral ≥ 6 meses | Rápida; boa para crianças agitadas | Técnica incorreta ou cerume alteram o valor |
| Temporal / testa (infravermelhos) | Qualquer idade | Muito rápida e sem contacto | Mais sensível ao ambiente; menos precisa |
Bebés e crianças pequenas
Nos primeiros dois anos, prefere a medição retal quando quiseres confirmar uma febre. Para o dia a dia, a axila é adequada; mantém o braço encostado ao corpo durante o tempo indicado pelo termómetro.
Crianças mais velhas e adultos
A partir dos 5 anos, a axila chega perfeitamente. A timpânica é uma boa alternativa, desde que posiciones bem o termómetro no canal auditivo.

Febre no bebé (0 a 6 meses): porque exige mais atenção
Num bebé com menos de 3 meses, uma temperatura ≥ 38 °C no reto é sempre motivo para procurar assistência médica imediata, mesmo que o bebé pareça bem e não tenha outros sintomas.
Nesta idade, o sistema imunitário ainda é imaturo e a febre pode ser o único sinal de uma infeção que precisa de ser avaliada com rapidez.
Entre os 3 e os 6 meses, considera-se febre a partir de 38 °C no reto. Vigia o comportamento:
- um bebé que mama, reage e acalma quando a febre baixa é tranquilizador;
- um bebé muito “murcho”, que recusa a mama ou está difícil de acordar, precisa de ser visto.
Contacta o médico se a febre chegar aos 39 °C ou se surgir qualquer sinal de alarme.
Durante a doença, a pele do bebé pode ficar mais sensível. Um banho de água tépida e produtos de higiene suaves ajudam ao conforto: sem substituir, claro, o que realmente importa, que é vigiar o bebé.
Febre nas crianças: o que fazer e o que não fazer
Na criança, a febre por si só não é uma emergência: o objetivo é o conforto, não fazer o número descer a todo o custo. A febre ajuda o corpo a combater a infeção, por isso só se justifica um antipirético quando a criança está desconfortável. Se estiver bem disposta a brincar, podes apenas vigiar.
O que deves fazer:
- Despir ou aligeirar a roupa e manter o ambiente fresco.
- Oferecer líquidos com frequência, em pequenas quantidades, sem forçar a comer.
- Dar um antipirético (de preferência paracetamol) se houver desconforto associado.
- Vigiar o aparecimento de sinais de alarme.
O que não deves fazer:
- Agasalhar mais a criança para “suar a febre”.
- Dar antipiréticos em horário fixo só para prevenir, sem febre nem desconforto.
- Tentar tratar a febre com antibióticos por iniciativa própria.
- Insistir numa refeição grande e normal.
- Atribuir automaticamente a febre alta aos dentes: a dentição não causa febre elevada e pode mascarar outra causa.
Febre no adulto (e no idoso)
No adulto, considera-se febre a partir de 38 °C. Na maioria dos casos é benigna e passa em poucos dias com repouso e hidratação. Um antipirético ajuda ao conforto, mas nem sempre é necessário.
Procura apoio médico se a febre for muito alta, se durar mais de 3 dias, se voltar depois de melhorar, ou se surgirem falta de ar, confusão, rigidez do pescoço ou manchas na pele.
No idoso, a leitura muda: a temperatura basal costuma ser mais baixa, por isso uma infeção grave pode cursar com febre discreta ou até sem febre. Valoriza também sinais como prostração, confusão recente ou perda de apetite. Uma subida de cerca de 1,3 °C face ao valor habitual da pessoa já merece atenção.

E se a febre for na grávida?
Na gravidez, o antipirético geralmente preferido é o paracetamol, na menor dose eficaz e durante o menor tempo possível; o ibuprofeno e outros anti-inflamatórios devem ser evitados, sobretudo no 3.º trimestre.
Ainda assim, na gravidez a decisão não é só tua: contacta sempre o teu médico ou farmacêutico antes de tomar qualquer medicamento, e mais depressa se a febre for alta ou persistente.
A febre durante a gravidez merece ser avaliada porque pode estar associada a infeções que convém tratar cedo. Se estás grávida e com febre, o mais prudente é ligar ao SNS 24 (808 24 24 24) ou ao teu médico para orientação. Para os restantes cuidados do dia a dia, tens o nosso espaço de gravidez com produtos pensados para esta fase.
Como baixar a febre
Antes de recorrer a medicamentos, há medidas simples que dão conforto:
- aligeirar a roupa
- manter o ambiente fresco
- oferecer líquidos com frequência
- dar um banho de água tépida (cerca de 2 °C abaixo da temperatura do corpo).
O paracetamol é habitualmente a primeira escolha para aliviar o desconforto; só se a febre reaparecer em menos de 6 horas se pondera intercalar outro fármaco, como o ibuprofeno.
As doses dependem do peso e da idade, por isso não indico valores aqui. Confirma sempre com o teu farmacêutico ou médico e lê a bula. E lembra-te: baixar a febre não trata a causa; serve para a pessoa se sentir melhor enquanto o corpo faz o resto.
Dica de farmacêutica: não alternes paracetamol e ibuprofeno “de relógio na mão”. Usa um antipirético, e só intercala o segundo se a febre voltar antes das 6 horas e a criança estiver desconfortável. Menos é, quase sempre, mais.

Quando recorrer ao médico ou ao SNS 24
Liga ao SNS 24 (808 24 24 24) ou procura a urgência se, com febre, surgir algum destes sinais:
- Bebé com menos de 3 meses e qualquer febre.
- Prostração, gemido ou dificuldade em acordar.
- Dificuldade de respirar.
- Manchas na pele que não desaparecem quando pressionadas com o dedo.
- Convulsões ou alteração da consciência ou do comportamento.
- Vómitos persistentes ou dores de cabeça intensas que não passam.
- Febre que dura mais de 3 dias ou que volta depois de ter melhorado.
Na dúvida, o SNS 24 ajuda-te a decidir. E se precisares de aconselhamento sobre cuidados da pele do bebé ou da grávida, a nossa equipa de aconselhamento está disponível.
Perguntas frequentes
37,5 °C já é febre?
Depende de onde mediste. Na axila, 37,5 °C está no limite e ainda pode ser variação normal; fala-se em febre a partir de cerca de 37,5 °C axilar e, de forma mais consensual, 38 °C em medição central (retal). Mede novamente com calma antes de decidir.
A partir de quantos graus é febre num bebé?
A partir de 38 °C no reto. E há uma regra de ouro: bebé com menos de 3 meses e febre deve ser visto por um médico de imediato, mesmo sem outros sintomas.
Qual é o melhor sítio para medir a febre?
Nos bebés e crianças até aos 2 anos, o reto é o mais fiável. Depois, a axila ou o ouvido chega para o dia a dia.
A febre pode ser dos dentes?
A dentição pode dar desconforto e, no máximo, uma subida ligeira de temperatura, não febre alta. Se o bebé tem febre elevada, procura outra causa.
Posso tomar paracetamol na gravidez se tiver febre?
O paracetamol é, em geral, o antipirético de eleição na gravidez, na menor dose eficaz. O ibuprofeno deve ser evitado, sobretudo no 3.º trimestre. Confirma sempre com o teu médico ou farmacêutico antes de tomar.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui o diagnóstico ou aconselhamento de um médico, dermatologista ou farmacêutico. Se os sintomas forem persistentes, intensos ou se agravarem ou se se tratar de um bebé com menos de 3 meses, procura aconselhamento profissional.